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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Estado de conservação das rodoviais piora em 2017, diz CNT

O estado de conservação das rodovias brasileiras piorou em 2017 se comparado com o ano anterior. É o que mostra a pesquisa sobre a malha rodoviária nacional que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) realiza anualmente, com apoio do Serviço Social do Transporte (Sest) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat). Divulgada a 21ª edi- ção do levantamento aponta que o país precisaria investir quase R$ 294 bilhões para ter uma infraestrutura rodoviária adequada à demanda nacional. Além da queda na qualidade do estado geral das rodovias pesquisadas e da falta de investimentos, a pesquisa identi cou 363 trechos de rodovias com pontos que, segundo a CNT, representam grave riscos à segurança dos usuários e queda da e ciência do transporte. Ao longo de 30 dias, pesquisadores percorreram 105,8 mil quilô- metros – 2,5 mil quilô - metros a mais que em 2016. Toda a extensão pavimentada das rodovias federais e as principais rodovias estaduais do país foram avaliadas. Segundo o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, a queda na qualidade do estado geral das rodovias está demonstrada no fato de, este ano, os pesquisadores terem classi cado 61,8% da extensão pesquisada como regular, ruim ou péssima e apenas 38,2% como boas ou ótimas. Em 2016, estes índices eram de, respectivamente, 58,2% e 41,8%. O aspecto em que o índice mais se deteriorou foi o relativo à sinalização. O percentual da extensão de rodovias com sinalização considerada como ótima ou boa caiu para 40,8%, frente aos 48,3% alcan- çados no ano passado. Dessa forma, aumentou para 59,2% o percentual de sinalização regular, ruim ou péssima. Outro quesito mal avaliado diz respeito à durabilidade do pavimento das rodovias bra - sileiras. Segundo a CNT, o país ainda emprega uma metodologia ultra - passada na execução das obras. Isso, de acordo com a entidade, é ainda mais comprometido por falhas no gerenciamento, scalização e manu - tenção das rodovias. ACIDENTES As falhas concorrem para o surgimento de “situações atípicas”, que é como a pesquisa classi ca ameaças à segurança dos usuários das estradas federais ou administradas por em - presas concessionárias. São quedas de barreiras, pontes caídas, trechos erodidos e buracos que comprometem faixas de rodagem, “levando a um aumento dos custos operacionais da movi - mentação de cargas e de passageiros resultante do prolongamento do tempo de viagem e do maior consumo de com - bustível”, mostra estudo. A pesquisa indica que, em 2016, o número de acidentes em rodovias federais caiu pelo segundo ano consecutivo. Para Bruno Batista, no entanto, essa queda se deve à mudança de metodologia na forma como a Polícia Rodovi- ária Federal (PRF) computa as ocorrências. “A partir de 20015, a Polícia Rodoviária alterou a forma de registro dos acidentes. As pessoas que se envolvem em acidentes sem vítimas passaram a ter que registrá-los. Acreditamos que isso ajude a explicar essa queda grande dos números, já que não houve nenhuma razão técnica, nenhum incremento em medidas de segurança, que expliquem esse fato”, comentou Batista ao comparar os 96,3 mil acidentes e 6.398 mil mortes do ano passado com os cerca de 121 mil acidentes e 6.837 mil óbitos divulga - dos em 2015. Em 2014, foram registrados 169 mil acidentes. A pesquisa aponta que ao passo em que foram investidos R$ 8,61 bilhões em melhorias e conservação das rodovias federais, só os acidentes registrados no ano passado custaram R$ 10,88 bilhões. Valores que se somam às perdas com o aumento do custo operacional para as transportadoras de cargas e de passageiros. A estimativa é que, apenas em 2017, 832,3 milhões de litros de diesel tenham sido desperdi- çados em função da má qualidade das rodovias, o que custou R$ 2,54 bilhões às transportadoras. “A má qualidade das rodovias brasileiras oneram o transporte rodovi- ário em 27%, na média. Média, pois há rodoviais da Região Norte que chegam a elevar em até 33% o custo da operação”, a r - mou o presidente da seção de Transporte Rodoviário de Cargas, Flávio Benatti. “Isso demonstra o chamado Custo Brasil e a realidade do nosso país. Não teremos crescimento adequado se não olharmos para a questão da infraestrutura de transporte como um todo. E o [mo - dal] rodoviário, que res - ponde por 60% do volume de carga transportada [e 95% do de passageiros] precisa ser visto pelo governo com outros olhos”, acrescentou Benatti, destacando que, historica - mente, o governo federal deixa de executar cerca de 30% do orçamento aprovado para a infraestrutu - ra rodoviária. “São verbas aprovadas que, por falta de gestão, não foram gastas. É uma situação muito grave,” disse. SOLUÇÕES Para a CNT, é urgente a implementação, pelo governo federal, de um plano para reparar os principais problemas identi cados na pesquisa, dentre os quais, a reconstrução de 1.136 quilômetros de rodovias onde a superfície do pavimento está destruída e a restauração de 27.681 quilômetros de malha onde foram identi - cadas trincas, remendos, afundamentos, ondula - ções ou buracos; além da construção de acostamentos em 47.270 quilômetros e a pintura de faixas centrais e laterais onde estas não existem. Além disso, a confederação defende o fortalecimento dos órgãos públi - cos que atuam no setor, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
(Dnit) e a PRF; a modernização dos sistemas de scaliza- ção e controle de obras públicas de infraestrutura rodoviária e a reformula - ção do modelo brasileiro de concessões rodoviárias como forma de estimular os investimentos privados. “O quadro se agrava a cada dia, pois os investimentos feitos pelo governo são poucos. E as concessões feitas há três, quatro anos, foram feitas apenas para mexer com valores de tarifas, e não com um plano de investimentos”, acrescentou Benatti

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