A gente cresce ouvindo que a raiva é um sentimento ruim e que acessá-la nos aproxima de conceitos e valores negativos como violência, agressividade e loucura. E o pior: que devemos controlá-la. Mas será que é assim mesmo? Será que dentro desse lugar onde a raiva habita dentro de nós, e que a gente não quer olhar, ou que a névoa esconde, é justamente o espaço que guarda o nosso maior poder, a nossa autoridade, a nossa criação e a nossa voz autêntica? Pensando em desvendar este universo de possibilidades, Brasília recebe, pela primeira vez, a imersão “Dia da Raiva - Um espaço para transformar a energia e informação da raiva em direção e movimento”. O evento acontece no próximo dia 29 de agosto, sábado, das 9h às 17h.
À frente da iniciativa está Priscila Coser, que vem estudando a raiva há mais de cinco anos e que formatou esta imersão direcionada a mulheres que sentem a necessidade de compreender e usar, a seu favor, esta energia muitas vezes represada.
“Como um feitiço, o patriarcado espalha constantemente essa névoa de confusão e autodúvida; e nós, mulheres, acreditamos e, inclusive, nos contaminamos e multiplicamos isso umas para as outras. A boa notícia é que sua raiva não é um erro de design. Ela é clareza, foco, direção, movimento, força, energia e informação”, explica Priscila.
Segundo ela, a raiva é a chave para a saída da prisão. “A prisão que você mesma construiu para se fazer de pequena, para não viver a vida que quer, para criar guerra, para se isolar, para continuar servindo ao patriarcado”, complementa.
“O Dia da Raiva é, portanto, um espaço seguro para juntas darmos passos firmes para fora da prisão. Para olhar para além da névoa. É o lugar para reivindicar sua voz, sua força, seu poder, seus projetos, seus impulsos, sua vida”, afirma.
SERVIÇO:
Dia da Raiva

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